Homem Tenta Declarar R$ 230 Mil em Perdas no Metaverso como 'Depreciação de Imóvel Digital': Receita Federal Abre Procedimento Administrativo por Boa Vontade
Contribuinte de Campinas argumentou que seu terreno virtual no Horizon Worlds sofreu 'desvalorização estrutural' após Zuckerberg abandonar o projeto; auditor precisou de 3 dias para parar de rir
CAMPINAS (Gazeta do Prejuízo) — A Receita Federal do Brasil instaurou procedimento administrativo inédito contra o contribuinte Fabrício Augusto Lemos, 41 anos, engenheiro de software de Campinas, após este protocolar declaração do Imposto de Renda 2026 com dedução de R$ 230.000 referentes à "depreciação estrutural de imóvel digital — Horizon Worlds, lote 7734-B, setor Metaplaza Norte" — valor que o contribuinte solicitou abater integralmente de sua base de cálculo como "perda patrimonial em ativo imobilizado de natureza virtual".
O procedimento, classificado internamente como "Malha Fina — Subcategoria: Boa Vontade do Auditor", foi aberto não por suspeita de fraude declarada — a Receita reconhece que Fabrício foi "inteiramente honesto sobre o que fez, o que é, em si, desconcertante" — mas por ausência de qualquer amparo legal, regulatório, doutrinário ou gramatical para a dedução requerida.
Declaração de Ajuste Anual — IRPF 2026
Fabrício Augusto Lemos
***.847.***.91
| Descrição | Valor (R$) |
|---|---|
| Rendimentos tributáveis — salário engenheiro sênior | R$ 187.200,00 |
| Bem imóvel digital — Horizon Worlds Lote 7734-B (aquisição 2022: R$ 230.000) | R$ 0,00 |
| Depreciação imóvel digital — desvalorização estrutural pós-abandono Meta (Art. que não existe) | -R$ 230.000,00 |
| Benfeitorias realizadas: avatar premium, decoração virtual, piscina pixelada | -R$ 14.300,00 |
| Base de cálculo declarada pelo contribuinte | -R$ 57.100,00 |
A declaração foi protocolada às 23h52 do dia 30 de abril — último dia do prazo, horário que a Receita Federal reconhece como "o turno em que as declarações mais criativas entram no sistema". O auditor responsável, identificado nos documentos internos apenas como "Dr. Renato, Malha Fina SP-Interior, matrícula 38.471", encaminhou o caso à chefia com a seguinte anotação manuscrita: "Preciso de três dias. Não de férias — para parar de rir e redigir o parecer com seriedade."
O ARGUMENTO DO CONTRIBUINTE
Fabrício Lemos, em contato com a Gazeta do Prejuízo por meio de sua advogada tributarista — que pediu para não ser identificada por "razões profissionais e de reputação" —, explicou a lógica por trás da declaração com uma coerência interna que, tomada isoladamente de qualquer contexto jurídico existente, é quase admirável.
"Eu comprei o terreno em 2022 por R$ 230 mil. Existia uma visão clara de que o Horizon Worlds seria a plataforma central de trabalho e lazer digital da próxima década. O Zuckerberg disse isso pessoalmente. Eu tenho os vídeos", explicou Fabrício. "Em 2024, o Meta abandonou o projeto. O terreno, que antes tinha movimentação de usuários, avatares e atividade comercial projetada, agora é literalmente um polígono vazio em um servidor que pode ser desligado a qualquer momento. Isso é depreciação estrutural por abandono. Qualquer engenheiro entende."
Quando sua advogada sugeriu que "qualquer engenheiro entender não é o mesmo que a Receita Federal aceitar", Fabrício respondeu que "a Receita precisa se atualizar para a economia digital".
⚖️ Poder Judiciário — Brasil
AUTO DE PROCESSO JUDICIAL
PA-RF/SRRF08/2026-0034721
| Nº do Processo | PA-RF/SRRF08/2026-0034721 |
| Vara / Juízo | Receita Federal — 8ª Região Fiscal — Delegacia de Campinas — Setor de Malha Fina Criativa |
| Autor | Receita Federal do Brasil |
| Réu | Fabrício Augusto Lemos — CPF ***.847.***.91 |
| Objeto | Declaração de dedução de R$ 230.000 a título de 'depreciação de imóvel digital' sem amparo em qualquer normativa tributária vigente, proposta ou imaginada; solicitação de restituição sobre base de cálculo negativa; alegação subsidiária de que 'a Receita não acompanhou a evolução tecnológica' |
| Valor da Causa | R$ 230.000,00 (dedução indevida) + R$ 23.847,00 (restituição solicitada sobre base inexistente) |
⚖️ Parecer do Juiz
“O contribuinte demonstra conhecimento aprofundado da economia de ativos digitais e conhecimento zero da legislação tributária brasileira. A dedução requerida equivale, em termos jurídicos, a solicitar abatimento de IR por 'depreciação emocional causada por filme ruim'. Abrimos o procedimento por respeito ao CPF do solicitante.”
CORREIO POPULAR DE CAMPINAS
ENGENHEIRO LOCAL TENTA DEDUZIR TERRENO DO METAVERSO NO IR E VIRA CASE NACIONAL DA RECEITA
Fabrício Lemos, 41, diz que 'a Receita precisa se atualizar'; advogada tributarista pede anonimato; vizinhos afirmam que 'ele sempre foi criativo'
O CONTEXTO: QUANTO VALE UM TERRENO NO HORIZON WORLDS
Para contextualizar o caso de Fabrício, a Gazeta do Prejuízo consultou especialistas em ativos digitais — categoria profissional que não existia em 2019, atingiu seu pico em 2022 e hoje é descrita por seus próprios integrantes como "em processo de revisão de proposta de valor".
Em 2022, terrenos no Horizon Worlds foram comercializados por valores entre R$ 15.000 e R$ 400.000, dependendo da localização virtual, do tráfego de avatares projetado e da proximidade de "âncoras comerciais" — conceito que, no contexto, significava outros polígonos comprados por outras pessoas que também achavam que aquilo valeria alguma coisa.
Em 2025, o último registro de transação identificado pela Gazeta do Prejuízo foi de R$ 850 por um lote de tamanho equivalente ao de Fabrício, e o comprador teria declarado que "foi só pra ver como funciona". O vendedor não quis comentar.
O mercado global de imóveis virtuais, que atingiu US$ 1,8 bilhão em transações em 2022, encolheu para US$ 67 milhões em 2025 — redução de 96,3%. Para fins de comparação, o mercado de terrenos em cidades fantasmas do interior do Mato Grosso do Sul apresentou, no mesmo período, valorização de 4,7%. Um galpão vazio em Três Lagoas supera em liquidez um terreno premium no Metaverso. Isso é considerado informação útil, com 3 anos de atraso.
A POSIÇÃO DA ADVOGADA
A advogada tributarista de Fabrício, identificada apenas como "Dra. C., OAB/SP", concedeu declaração breve por escrito que a Gazeta do Prejuízo reproduz na íntegra: "Meu cliente tem convicção genuína na tese que apresentou. Eu tenho convicção genuína nos meus honorários, que foram pagos à vista antes de eu ler a declaração completa. Não há conflito de interesses."
Em segundo contato, a advogada acrescentou que "não é impossível que a jurisprudência tributária eventualmente alcance ativos digitais" e que "algum contribuinte vai ser o primeiro a tentar, e Fabrício teve essa coragem". Quando perguntada se "coragem" era a palavra que escolheria para descrever a iniciativa, respondeu: "É a palavra que uso com clientes presentes."
"Do ponto de vista estritamente técnico, a tese do Sr. Lemos tem dois problemas: o primeiro é que imóveis digitais não constam do rol de bens depreciáveis previsto na Instrução Normativa RFB 1.700/2017. O segundo é que todos os outros artigos do Regulamento do Imposto de Renda também não amparam a dedução. Fora isso, a lógica econômica subjacente é coerente. Estaria feliz em desenvolver uma tese acadêmica sobre o tema, que levará entre 4 e 6 anos para ter relevância prática, período durante o qual Fabrício terá pago a multa."Dr. Cláudio 'Base de Cálculo' MendonçaAdvogado Tributarista — OAB/SP 189.342 — Especialista em Ativos Digitais (formação iniciada em março)
O DESFECHO REGULATÓRIO
A Receita Federal informou, em nota oficial, que o procedimento administrativo resultará em uma das três possibilidades: glosa da dedução indevida com aplicação de multa de 75% sobre o valor deduzido indevidamente; abertura de auto de infração por declaração com erro que implica redução indevida de imposto; ou "encaminhamento para câmara técnica de avaliação de ativos digitais" — câmara que, conforme verificado por esta redação, ainda não existe mas que a Receita afirmou que "avalia criar, dada a recorrência de casos semelhantes nos últimos dois exercícios fiscais".
Este último dado — a "recorrência de casos semelhantes" — foi a informação mais perturbadora obtida durante a apuração desta reportagem.
Fabrício Lemos, ao ser informado pela Gazeta do Prejuízo sobre a possibilidade de multa de 75%, respondeu que "isso é injusto" e que "vou recorrer até o CARF". Sua advogada, contatada em seguida, não atendeu o telefone. O terreno no Horizon Worlds permanece vazio, num servidor em Ashburn, Virgínia, rendendo exatamente o mesmo que antes da declaração.
💬 Comentários dos Leitores
auditor_rf_renato
10:47
Sou o Dr. Renato. Confirmamos a história. Foram 3 dias, não de férias. O parecer está em rascunho 7. As primeiras seis versões continham palavras impróprias para documento oficial.
fabricio_lemos_campinas
11:03
A Receita está errada. A depreciação é real. Posso provar com screenshots do terreno vazio. O antes e depois é devastador. Antes: polígono com potencial. Depois: polígono.
dra_c_tributarista
11:22
Não represento mais o Sr. Lemos. Esta informação é pública a partir de agora.
zuckerberg_nao_oficial
12:05
Olá. Não sou o Zuckerberg. Mas se fosse, diria que o metaverso está prosperando e que terrenos como o do Sr. Fabrício representam o futuro. Não comprem. (Sou o Zuckerberg.)
terreno_lote_7734b
13:33
Sou o terreno. Sou um retângulo. Não valho R$ 230 mil. Nunca vali. Obrigado pela atenção.